quarta-feira, 1 de abril de 2009

A BÍBLIA DO POETA



Carrego uma bíblia nas mãos, não a bíblia sagrada, digo bíblia pelo seu formato
mas é um livro compacto de um grande poeta, o que não deixa de ser sagrado. São
seus sonhos, seus amores, suas feridas, sua alma. E alma de poeta é grande e sofrida.
Subo no ônibus protegida, Drumond me acompanha!...Posto que estou triste...há morte
no aquário. Primeiro um, depois outro que agoniza...e a tartaruga sorri pra mim!
A tarde vai morrendo aos poucos, célula por célula, como o pexinho do aquário. Sinto
sua pulsação fraca, preciso de poesia...triste é chorar quem ainda não partiu. Na volta
faço o enterro automático, na descarga do banheiro. De lá vão para o céu dos peixes,
que é o oceano...Vejo o mar da janela da condução e paro o que estou fazendo, o poeta
me entende, é um ato involuntário!

Fátima Moraes

Nenhum comentário: