
Sou um raro exemplar bonito e ultrapassado de pessoa. Vivo da fé...nas pessoas, nas minhas idéias, no meu mundo. Amo, mas amo demais e tudo demais é demasia...Amo a procissão de fiéis calados, visão da santa que paro na calçada e olho e me arrependo do meus pecados. De repente, não é mais a imagem da santa que está ali, sou eu, no andor. Tantas flores e o povo todo se penitenciando, na esperança que eu faça algo, mas eu não posso!...Pulo no primeiro carro aberto que passar por perto e vou viver a vida, plena de gôzo. Amo a mulher que vende milho nas esquinas, a criancinha deitada a seus pés no sereno da noite...Amo e não sei dizer o quanto, o menino do sinal...O marginal que foi pego e dez homens o espancam...Dez contra um!...Amo a protistuta que já perde seus encantos naturais para a mocinha que chegou agora, mal saiu da infância...Amo o cachorro que bebe a água suja da lama...Amo o bêbado estirado na calçada, esquecido de sí e dos outros. Amo a imagem da família certinha que vai ao shopping...Papai, mamãe e filhinhos...Também preciso me amar!
Fátima Moraes
Fátima Moraes

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