
Comprávamos revistinhas quando crianças, esperávamos um mes inteiro pra isso. Quando afinal chegava o dia de nossa mãe receber a sua aposentadoria. Era para nós o grande momento tão esperado. E lá íamos nós. Seriam quilômetros... que importância tinha a distância? Caminhávamos como quem vai de encontro à felicidade. E atravessávamos ruas e avenidas perigosas, um cuidando do outro, atrás de nosso querido "tesouro", as revistinhas! Para mim era a Luluzinha, para meu irmão, era a do Demolidor, de cara feia na capa, com punhos de aço e concretos espalhados...Bem, cada um com seu gosto.
A Luluzinha era uma menina esperta, tinha amigas leais e vivia se defendendo das maldades dos meninos...levava a melhor no final.
Eu lia a revista aos poucos. Eram só cinco historinhas. Lia a primeira e a segunda, depois relia a primeira, era a cota do dia...economizava para ter...No dia seguinte eu acordava com a sensação de possuir um bem tão rico, me sentia a mais feliz das meninas e lia as histórias que restavam. Depois relia durante todo o mes, numa maravilhosa espera...
Fátima Moraes

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